sábado, 11 de junho de 2011

Introdução

Pretende-se com esta análise, que se perceba, de uma forma mais clara e sentida, a maneira como o som nos envolve e nos transporta para lugares só imaginados pela acção do cinema.
Sem nos darmos conta, sempre que nos sentamos para ver um filme nunca esperamos que no mesmo surjam só imagens em movimento. Mais de 2 segundos sem som, e começamos a achar que existe um problema. Podemos experimentar ver um filme sem som e cronometrar quando tempo aguentaríamos. Esta questão é simplesmente impensável uma vez que a cinematografia hoje em dia, é completamente planificada em conjunto com o som. Este componente deixou de ser apenas isso, para fazer parte integrante da visualização de qualquer componente visual. Encontram-se totalmente interligados. Um não funciona sem o outro. O som permite-nos ainda perceber para além da textura, emoção e compreensão de cada cena. A emoção que sentimos sempre que assistimos a uma filme tornar-se-ia completamente aborrecida se não existisse qualquer som. Esperamos sempre que o som seja algo tão excitante e que nos envolva em cada imagem do filme, tornando assim a experiência de cinema arrebatadora.
Será precisamente com esse objectivo, que analisaremos ao longo deste trabalho, de uma forma detalhada, a importância que o som adquiriu e passou a fazer parte integrante da chamada sétima arte. Abordaremos a forma como surgiram, os primeiros filmes, as reacções, quer de publico que dos próprios técnicos. O surgimento de novas profissões ligadas ao ramo.
Tentaremos perceber melhor os benefícios conseguidos com este casamento. A maneira como evoluiu até aos dias de hoje. Abordaremos a sua evolução bem como a revolução de ver cinema.
Faremos também referencia à nova forma de expressão da imagem que foi alterada pela integração da música no cinema, referindo para isso alguns compositores que se tornaram verdadeiros produtores de imagens.

O aparecimento do som no cinema

O som tem uma história no cinema, muito longa. Encontra-se documentado que por alturas de 1889, Thomas Edison, tentou sincronizar o som com as imagens de um filme, apesar não se saber muito mais em concreto. Nos frenéticos anos 20, os locais de convívio aumentaram e alteraram-se, e as pessoas passaram a frequentar mais os cabarets, os night-clubs e os casinos.
A grande atracção da época era o cinema, tornando-se Hollywood o maior centro de produção de filmes mudos. As grandes estrelas que encarnavam as personagens nos ecrãs, eram o alvo de adoração de milhões de pessoas, como é o caso de Charlie Chaplin, encarnando a sua personagem Charlot. A comédia foi o género com mais êxito em Hollywood durante os anos 20. Charles Chaplin, foi um dos maiores actores do cinema mudo cómico e romântico, em que fez filmes como o “The Kid” (1921) e “The Gold Rush” (1925). Uma das personagens mais importantes foi a de vagabundo, sempre ao lado dos oprimidos, tornou-se um símbolo com que o público se identificava.
"Don Juan" foi lançado em 1926, pela Warner Brothers, o primeiro filme comercial com som gravado. "Don Juan" apenas com guião musical, e sem qualquer referencias a diálogo. No ano seguinte, a produtora lançou "O Cantor de Jazz" (The Jazz Singer - 1927) com música, efeitos sonoros e algum texto.


The Jazz Singer apresenta o SOM

O que se torna curioso no aparecimento do som, é a sua origem ter apenas acontecido porque Jack Warner estava com problemas financeiros. Com esse problema, resolveu apostar em algo completamente novo.
A escolha foi o cinema sonoro, uma ideia que a Warner a acompanhava há já algum tempo mas à nunca tinha dado grande atenção. Terá sido apenas uma questão financeira que impediu o som de entrar no início do século nos filmes e foi uma questão financeira que veio acabar com esse atraso de 30 anos. Do filme The Jazz Singer pouco reza a história. Só a imagem do russo Al Jonson pintado de negro a dançar e a cantar ficou na memória. O filme foi o maior sucesso do ano e foi galardoado com um Óscar especial, o primeiro. E só não foi eleito o melhor filme pelo facto dos grandes produtores rivais da Warner acharem que seria concorrência desleal.
No entanto os primeiros três anos de transição foram complexos. O som era a tendência mas ainda se relacionou com o cinema mudo. Nem todos os estúdios tinham equipamentos adequados para criar filmes com som.

The Jazz Singer - 1927

O que trouxe o som de novo à imagem

O SOM NOS FILMES MUDOS

Apesar da denominação filme-mudo não implicava apenas o silencio. Aliás, raríssimas eram as vezes em que um filme era exibido em silêncio total absoluto. Desde sempre que o som esteve presente no cinema, mesmo no mudo. Só que, por uma razão ou por outra, nunca teve a importância merecida.

Os primeiros projectores inventados por Thomas Edison traziam já a possibilidade de exibir som e imagem em movimento de forma simultânea. Muitos dos primeiros filmes exibidos na exposição de Paris de 1900 eram de facto sonoros. Mas os elevados custos que implicava a instalação de aparelhos sonoros nas salas e nos estúdios adiou por um quarto de século o sonoro.
Mesmo assim o som esteve sempre presente. As exibições eram acompanhadas por um pianista (nas estreias dos filmes em grandes cinemas havia mesmo uma orquestra completa) e havia mesmo salas que atraíam o público por terem atrás da tela pessoas a dar voz aos momentos mais emocionantes dos filmes. O diálogo na altura era subvalorizado (havia ainda uma relação amor-ódio com o teatro) e os realizadores do mudo tinham apostado acima de tudo nas expressões faciais como elementos transmissores de ideias, emoções ou estados de alma. Só em casos extremos é que recorriam ao diálogo. E nesses casos utilizavam subtítulos. No entanto, a iliteracia de muitos dos espectadores era um factor a ter em conta. Por isso, quanto menos subtítulos o filme tivesse, melhor era para os estúdios.

A música que acompanhava a exibição dos filmes era sempre música bastante erudita. Por vezes os realizadores recomendavam uma determinada partitura mas era o pianista (ou orquestra) quem habitualmente escolhia o que interpretar. Ao contrário da rádio, que apostava em efeitos sonoros para ilustrar as rádio novelas e o teatro radiofónico, no cinema cabia apenas à música criar uma atmosfera envolvente ao filme. Os diálogos e os efeitos sonoros eram subvalorizados e as grandes correntes artísticas da época (Abel Gance, René Clair em França e Dziga Vertov e Serguei Eisenstein na União Soviética) afirmavam mesmo preferir assim, já que tinham mais margem de manobra na abordagem às narrativas do filme.
No entanto, apesar da desconfiança dos artistas e das reticências dos homens de negócios, durante os vinte e cinco anos que mediram as últimas exibições experimentais de filmes sonoros e a afirmação dos “talkies”, as experiências foram continuando.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

La Rue - Video

O Cinema Espectáculo

Com a chegada do som o cinema nunca mais foi o mesmo. Depois de uma serie de indecisões e polémicas sobre qual o modelo a seguir, acabou por estabeleceu-se o domínio do cinema falado. A pouco e pouco, os próprios estúdios e realizadores perceberam que o público se tinha fartado dos mesmos sons e final dos anos 30, os grandes filmes norte-americanos tinham arranjado forma de conjugar o cinema falado, com o cinema sonoro defendido pelos teóricos europeus.

No entanto a fusão entre o cinema europeu e norte-americano tornou-se clara. A linguagem universal que era o mudo tinha chegado ao fim e mesmo dentro da Europa, e depois de algumas experiências falhadas, cada país seguiu o seu próprio rumo. O sonoro tinha dado uma volta de 180º na indústria cinematográfica.

O som é um constituinte do filme e estamos acostumados com a relação de complementação entre o som e a imagem. Como afirma Chion (2003, p. 436):
“Durante a criação de um filme, existe uma mistura dos elementos visuais e sonoros que resultam no filme, num conjunto, sendo muito difícil assistir e discernir, simultaneamente, qual parte é qual, principalmente quando no primeiro contacto com a obra, de tal forma que, raríssimas vezes, levamos em conta o sonoro especificamente.”
A aplicação do som numa obra consiste em composições de atmosferas que gerem determinadas reacções em que assiste e sentidos diversos através de uma representação de um sentido possível. Pode ser afirmado que a música, ou se quisermos, a banda sonora é essencial para a compreensão e desenvolvimento do filme.

A fusão do som com a imagem abre assim as portas ao chamado cinema espectáculo.

Gone With Wind - Video

Música como nova forma de expressão na imagem - I

A música, abre infinitas janelas para a construção do conhecimento. A linguagem musical atinge a percepção humana de maneira mais profunda além de estar presente no quotidiano de todas as pessoas; como linguagem não verbal, a música atinge o terreno das emoções, da intuição e das capacidades não racionais. A música e a sua história são instrumentos poderosos de aprendizagem que despertam a criatividade e o prazer pelo conhecimento, pois através dos sons, ritmos, letras, as músicas sintetizam a nossa expressão cultural e despertam o gosto e o senso crítico. Mostrar as origens e as diversidades musicais é abrir caminho para melhor compreender a música e sua história que podem ser aliados ao despertar para o conhecimento mais intenso. Quem percebeu esta nova forma de expressão, e a maneira mais eficaz de a aproveitar, com o objectivo de dirigir o publico em vez dos actores, foi precisamente Alfred Hitchcock.

Psycho - Hitchcock

Música como nova forma de expressão na imagem - II

Um dos momentos musicais mais famosos da história do cinema esteve para ser mudo. No início da pós-produção de "Psycho", Hitchcock terá dado estas indicações ao seus ao seu compositor, Bernard Hermann,: "Faz o que quiseres, mas peço-te apenas uma coisa: por favor não escrevas nada para a cena do chuveiro. Isso tem de ser sem música.". Hermann ignorou o pedido e compôs a música. Depois de ver a cena com música, Hitchcock mudou de opinião e, quando Hermann lhe lembrou a instrução original, respondeu imperturbavelmente: "Que sugestão mais imprópria, miúdo!!!." Hitchcock, que tinha sido muito pessimista em relação ao filme, chegando mesmo a pensar em passa-lo apenas na televisão, percebeu naquele momento que tinha nas mãos uma coisa muito especial.
Esta anedota é reveladora de que, como o livro "Hitchcock's Music" de Jack Sullivan recentemente editado, Hitchcock tinha instintos musicais acima da média. Se ele não tivesse conseguido ver o que Hermann podia fazer com a música, ninguém o conseguiria. Naquelas cordas terríveis, gritantes mesmo, Sullivan diz que houve espectadores que tinham ouvido música electrónica, sintetizadores e "gritos de pássaros" onde nada disso existe. A extraordinária música de Hermann, composta apenas para cordas - como disse o compositor, "uma musica a preto e branco para um filme a preto e branco"- demonstrou que "o público gosta de música moderna desde que esteja num filme".

Primeiros compositores de bandas sonoras

Quando é bem utilizado o som torna-se uma arma fundamental na criação de produções cinematográficas. Disso não há qualquer dúvida. Iremos nesta parte da investigação sugerir bandas sonoras do gosto do autor e que, de certa forma fizeram também parte da história da música no cinema. Desta vez daremos principal protagonismo aos seus compositores, muitas vezes esquecidos em prol dos realizadores e nome dos filmes.
Um dos grande nomes de todos os tempos é, sem dúvida John Williams. Criador de musicas para filmes como Star Wars, Indiana Jones, Jurassic Park, E.T. e Tubarão entre outros.

John Williams - Video

Hans Zimmer - Texto

Hanz Zimmer é outro nome que vem se destacando recentemente é que fez bandas sonoras com Gladiador, O Rei Leão, Thelma & Louise, Rain Main, O Príncipe do Egito, Missão: Impossível 2 e Inception mais recentemente.

Hans Zimmer

Conclusão

Creio que este trabalho permitiu que muitas das ideias ficassem bastante claras no que diz à importância da fusão do som com as imagens. Percebeu-se que, cada vez mais, este casamento é muito bem sucedido. A aparecimento de novas profissões ligadas ao som, quer na captação quer na fase de pós-produção, tornou esta família cinematográfica ainda mais coesa. No entanto, parece que havia ainda muito mais a dizer, muitos nomes por referir, mas neste tão vasto assunto é difícil conseguirmos abraçar o grande desempenho que todos tiveram no desenvolvimento para esta tão nobre arte.
A forma como vimos cinema hoje em dia é completamente diferente, não podemos afirmar imagem tem a mesma importância, terá de dividir com o som, e em alguns caso seguir para segundo plano. Esta nova forma de expressão fez desenvolver novos artistas, cineastas, músicos, performers, tudo em prol de uma componente: a arte
De reter, uma mensagem que gostaria ainda de sublinhar: relembrando a forma como aqui foi referido o desenvolvimento do som nos filmes, percebemos que sempre que desenvolvemos uma actividade temos de inovar! A situação de crise financeira atravessada pela empresa Warner, como vimos, possibilitou o desenvolvimento de outra componente que veio a revelar-se indispensável para a existente. Em todos as áreas, em qualquer profissão, esta premissa assenta: inovar é o caminho.

Bibliografia

CHION, Michel. Une art sonore, le cinèma. Paris: Cahiers du Cinèma, 2003.
Sullivan, Jack: Hitchcock's Music. New Haven and London: Yale University Press, 2006 – consulta em PDF
http://www.howstuffworks.com/movie-sound.htm
http://www.cineplayers.com/artigo.php?id=6
http://www.imdb.pt/
http://www.mnemocine.art.br/index.php?option=com_content&view=article&id=45:trilha-sonora&catid=53:somcinema&Itemid=67
http://pt.shvoong.com/books/179308-linguagens-n%C3%A3o-verbais/#ixzz1Osj1FpLk