Com a chegada do som o cinema nunca mais foi o mesmo. Depois de uma serie de indecisões e polémicas sobre qual o modelo a seguir, acabou por estabeleceu-se o domínio do cinema falado. A pouco e pouco, os próprios estúdios e realizadores perceberam que o público se tinha fartado dos mesmos sons e final dos anos 30, os grandes filmes norte-americanos tinham arranjado forma de conjugar o cinema falado, com o cinema sonoro defendido pelos teóricos europeus.
No entanto a fusão entre o cinema europeu e norte-americano tornou-se clara. A linguagem universal que era o mudo tinha chegado ao fim e mesmo dentro da Europa, e depois de algumas experiências falhadas, cada país seguiu o seu próprio rumo. O sonoro tinha dado uma volta de 180º na indústria cinematográfica.
O som é um constituinte do filme e estamos acostumados com a relação de complementação entre o som e a imagem. Como afirma Chion (2003, p. 436):
“Durante a criação de um filme, existe uma mistura dos elementos visuais e sonoros que resultam no filme, num conjunto, sendo muito difícil assistir e discernir, simultaneamente, qual parte é qual, principalmente quando no primeiro contacto com a obra, de tal forma que, raríssimas vezes, levamos em conta o sonoro especificamente.”
A aplicação do som numa obra consiste em composições de atmosferas que gerem determinadas reacções em que assiste e sentidos diversos através de uma representação de um sentido possível. Pode ser afirmado que a música, ou se quisermos, a banda sonora é essencial para a compreensão e desenvolvimento do filme.
A fusão do som com a imagem abre assim as portas ao chamado cinema espectáculo.